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Domingo, 10 de Junho de 2018, 12h:11
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Candidata à presidência da Famasul fala sobre principais propostas

Eleição da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul acontece no próximo sábado (16)

Esthéfanie Vila Maior
Capital News

A eleição para presidência da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) acontece no próximo sábado (16). Ao longo dos 40 anos de existência da instituição, é a primeira vez que duas chapas concorrem.

 

O Capital News entrevistou a candidata pela chapa Novos Tempos, Terezinha Candido. Além de produtora rural e empresária, tem formação em gestão e medicina veterinária. Também presta serviço a Famasul há mais de 20 anos.

Assessoria / Divulgação

Candidata à presidência da Famasul fala sobre principais propostas

Terezinha Candido, candidata pela chapa Novos Tempos

Capital News - Quais as principais propostas para o setor?

Terezinha Candido - Para aplicar na prática a proposta de “Novos Tempos” na Famasul, as propostas da chapa 1 têm 3 eixos principais: representatividade, modernização e desenvolvimento. Um plano de trabalho com 10 propostas foi elaborado em conjunto com a classe produtora e técnicos do setor rural. Além das eleições gerais, existem propostas para fortalecimento das bases (Sindicatos Rurais – especialmente diante do fim da contribuição sindical obrigatória), planejamento participativo (com a inserção dos produtores na gestão e deliberações da Federação), Famasul Itinerante (que trata da descentralização estratégica da Federação, garantindo sua presença mais marcante no interior, onde está a maioria da população rural), modernização dos regimentos e estatutos para dar mais eficácia as ações da entidade, formação de novos líderes do segmento rural, transparência total, criação de um setor de inteligência para comunicação e negócios e resgate da história e cultura do campo, por meio do projeto Famasul sócio-cultural, que irá resgatar saberes e tradições do meio rural.

 

Capital News - Entre as propostas está a implantação de eleições gerais. Qual a importância desta medida?

Terezinha Candido - Atualmente as eleições da Famasul ocorrem de forma colegiada, pelo voto de 67 delegados de 69 sindicatos rurais que representam os 79 municípios de MS.  Todos os mecanismos de representação – sindicatos e Federação – são custeados pelos produtores rurais, por meio das arrecadações do Senar/MS. Hoje se tem em prática um cenário em que o produtor paga a conta, mas não participa das decisões e posicionamentos assumidos pela Famasul. Nossa intenção é justamente reverter isso, trazer a classe produtora para dentro do sistema e assim garantir que a Federação assuma de fato o posicionamento da classe produtora, não governista, como ocorre hoje.

 

Capital News - Quais as expectativas para o setor do agronegócios após às eleições do executivo e legislativo?

Terezinha Candido - Não podemos ter nenhum tipo de ilusão. Qualquer governo gostaria de ter uma Federação como a Famasul ajoelhada aos seus pés. Quem tem que estabelecer o limite dessa relação é a Federação. O alinhamento com o governo é importante, mas não pode se transformar numa crise de identidade onde não se sabe onde termina o governo e começa a Famasul, como ocorre hoje. Essa é a principal insatisfação da classe produtora.

 

Capital News - De acordo com especialistas, o setor pode demorar até oito meses para se recuperar dos efeitos da paralisação dos caminhoneiros. Quais as preocupações e medidas que serão adotadas para minimizar os prejuízos?

Terezinha Candido - A greve dos caminhoneiros teve adesão maciça da classe produtora. A reivindicação deles não é diferente da nossa. Há tempos sonhamos com a redução da alíquota do ICMS. Isso reflete de forma expressiva nos custos da produção rural e, consequentemente no bolso do consumidor. Agora o movimento tomou uma proporção em que o governo foi forçado a se posicionar e a Famasul, que deveria engrossar esse discurso há muito tempo, se omitiu em detrimento de seus representados, assim como em outras questões como o Funrural, a utilização dos recursos do Fundersul em obras urbanas, as discussões sobre ITCD, ITR, a pauta do novilho precoce e uma série de outros assuntos. O que precisamos agora é que a Famasul recupere sua credibilidade junto a classe produtora e que não se ajoelhe para medidas governistas impopulares para o produtor.

 

Capital News - Quais os desafios de uma mulher presidindo uma importante instituição do agronegócio? Serão desenvolvidas ações para incentivar a participação feminina no setor?

Terezinha Candido - Ser mulher em um meio predominantemente masculino traz sim alguns contratempos, mas procuro vencer isso pela meritocracia. Minha inserção na Famasul nunca foi política. Sou técnica do Senar/MS há mais de 20 anos, conheço esse sistema como ninguém. Fui presidente do sindicato rural de Coxim, sou veterinária, produtora e empresária do segmento rural e é isso que estou colocando a serviço da Famasul. Claro que a mulher tem uma série de diferenciais, mas eu nunca quis fazer disso uma disputa sexista.

Por meio do Senar/MS, já criei o “Programa Mulheres em Campo” e o “Com licença, vou a luta” que objetiva desenvolver competências de empreendedorismo, gestão e liderança no publico feminino rural, visando proporcionar desenvolvimento pessoal, familiar e principalmente em sua propriedade, entre outros. Quero dar mais proporção a esses e outros programas para alavancar o protagonismo da mulher rural.

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