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Covid fará desigualdade aumentar na educação, diz estudo

Por Débora Ramos

Da coluna Educação e Carreira
Artigo de responsabilidade do autor

Dificuldade em acompanhar conteúdos à distância, menores quantidades de horas em aula e acesso a materiais são algumas razões

Divulgação

ColunaEducaçãoECarreira

As desigualdades educacionais no Brasil devem ser agravadas por conta da pandemia de Covid-19, de acordo com o recente estudo 'O Tempo para a Escola na Pandemia', elaborado pela FGV Social, a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Covid do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de julho e agosto.


Um dos fatores para o aumento da desigualdade é a dificuldade de acompanhar as aulas online, seja por conta da falta de dispositivos como smartphone, notebook ou computador, ou por conta da impossibilidade de acessar a internet. Na pesquisa, essa tendência é apresentada especialmente entre os alunos da rede pública de ensino.


Outro ponto levantado pelo estudo são as quantidades de horas/aulas abaixo do estabelecido na Lei de Diretrizes Básicas da Educação (LDBE). Legalmente, há a previsão de uma jornada diária mínima de quatro horas, cinco dias por semana. No entanto, o tempo escolar ficou, em média, em 2,37 horas na faixa etária de 6 a 15 anos, e em 2,34 entre os alunos de 16 e 17 anos, com as adaptações realizadas por conta do isolamento social.


"A falta de atividades escolares pelos estudantes é mais relacionada à inexistência de oferta por parte das redes escolares do que a problemas de demanda dos próprios alunos", ressalta Marcelo Neri, um dos produtores do estudo da FGV. O estudo também aponta que 13,5% dos estudantes de 6 a 15 anos não receberam materiais dos gestores educacionais e professores, enquanto apenas 2,88% não utilizaram os artefatos recebidos por alguma razão.


Mesmo com as diferentes situações em todo o país, Neri relata que até os estados que apresentam os melhores índices estão abaixo da meta adequada. "A análise territorial para o grupo de 6 a 15 anos mostra que o Acre é a último colocado entre as Unidades da Federação, com menos da metade do tempo para escola do líder Distrito Federal (1,29 e 2,96, respectivamente). Nossos resultados mostram que, para além desta desigualdade amazônica, os melhores colocados entre os estados e capitais também não tiveram um tempo para escola superior à jornada escolar mínima proposta pela LDBE", frisa Marcelo Neri.

Acesso à internet
Além das questões de adaptação ao sistema online, há ainda a problemática acerca da conectividade em todas as regiões do país, que representa mais um obstáculo à implementação das aulas no campo virtual. Estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) de 2018 indicavam que cerca de 16% dos 4,35 milhões alunos do Ensino Fundamental e 10% dos 780 mil alunos do Ensino Médio não tinham acesso à internet.


A décima edição da pesquisa TIC Educação, realizada em 2019 pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), apontou também que cerca de 21% dos alunos de escolas públicas só acessam a internet pelo celular, enquanto na rede privada o índice é de 3%. O uso dos dispositivos móveis para isso é maior nas regiões Norte, com 26% de adesão, e Nordeste, com 25%.


“Antes do fechamento das escolas, a gente pode dizer que os estudantes tinham pouco acesso às tecnologias no ambiente escolar. As atividades pedagógicas estavam mais centradas no ensino do que na participação dos estudantes, e, quando eles vão para casa e têm de fazer eles mesmos estas atividades, o trabalho se torna mais árduo", afirma Daniela Costa, coordenadora da TIC Educação.

 

 

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