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Aprender a costurar é um exercício de empoderamento

Por Aline Reis

Da coluna Moda e Beleza
Artigo de responsabilidade do autor

Veja como iniciar sem complicação e expresse sua identidade no vestir

iStock

ColunaModaEBeleza

“Meu caminho pelo mundo, eu mesmo traço. A Bahia já me deu régua e compasso.” O trecho da música de Gilberto Gil manifesta o sentimento de liberdade. A mesma analogia se aplica a agulha, tesoura e linha, que hoje são instrumentos de empoderamento, com abertura para novas possibilidades de lazer e profissionais. Há muito de poesia e prosa no zigue-zague da linha no tecido. Está relacionado à delicadeza e à resistência, ao criar formas que expressam identidade e contam a história de uma época.

Durante a pandemia, o isolamento social fez as pessoas saírem do automático. Com olhos desacelerados, foi possível se dedicar à descoberta de novos talentos. A busca do aprendizado de corte e costura ressurgiu, aliada ao sentimento de admiração e diversão. O prazer de criar as próprias roupas também desperta interesse nos jovens, preocupados com a sustentabilidade e motivados a exprimir seu estilo.

A virtude da imperfeição
“O homem não pode se reduzir a um consumidor.” A afirmação do filósofo francês Gilles Lipovetsky cutuca hábitos enraizados. Com a industrialização, nos afastamos do modo de produção e do ato da criação. O crescente interesse pelo estudo de corte e costura é um regresso à origem. É terapêutico e estimula a autonomia.

Esboçar, modelar, tirar as medidas, recortar o tecido, coser à mão ou à máquina. O ofício não combina com imediatismo, envolve esforço, dedicação e repetição. A persistência e o tempo investido valem a pena. O prazer de fazer a primeira peça traz confiança e impulsiona a superar outros desafios. Você sentiu o chamado, mas não sabe por onde começar? Confira o passo a passo e tire suas dúvidas.

Missão possível
Para quem não sabe pregar um botão, alinhavar uma bainha, fazer uma roupa do zero parece um desafio para a próxima encarnação. Esqueça o preconceito, pois costurar não é complicado. É um aprendizado contínuo, quanto mais se sabe, mais se explora. Deixar a ansiedade de lado é o primeiro passo. Aproveite a experiência, sem cobrança de perfeição.

Você pode assistir a tutoriais na internet, fazer um curso online ou presencial, mas a paciência não pode faltar na "caixinha de costura”. Ela é tão importante quanto as tesouras, alfinetes, linhas, agulhas e fita métrica. Imprevistos acontecem, e uma arte não é uma fórmula controlável. A agulha vai quebrar na máquina, o recorte da peça não vai ser exato, os pontos vão romper, a realização vai ser diferente do imaginado. Respire fundo e continue. Costurar não é diferente de viver, é um conjunto de erros e acertos. A diferença é que a costura permite esboços; a vida, não.

Qual a melhor máquina?
A máquina de costura ideal é a que se encaixa no seu propósito. Seu objetivo é um passatempo ou uma profissão? Pesquise modelos na internet, mensure seu potencial de investimento; uma máquina básica atende às necessidades de um iniciante. Independentemente da escolha, para exercitar, é importante dominar as funcionalidades.

As máquinas overlock, ao mesmo tempo que costuram, dão o acabamento interno para não desfiar; são indicadas para tecidos leves, sem tanto peso. Para trabalhos com tecidos pesados, o indicado é a interlock. Os iniciantes não precisam desembolsar tanto; uma máquina doméstica é perfeita para os primeiros trabalhos.

Moldes: GPS da costura
Já ouviu falar que uma peça tem um bom caimento? O sucesso começou na modelagem. Os moldes são peças feitas em papelão ou papel, que guiam o corte e a costura do tecido. Um molde bem-feito evita desperdício de material e garante que a roupa tenha resultado mais fiel ao imaginado. Você pode aprender a fazer os próprios moldes ou pesquisar na internet modelos que são tendência.

Outra dica é alinhavar a peça, antes de partir para a máquina. Pode parecer trabalhoso, mas facilita na execução e na visualização de como será o caimento. Se existir algum ajuste, pode ser feito antes da costura final. Espante a preguiça e ganhe qualidade.  

Imaginação em movimento
Moda está intimamente ligada à expressão da personalidade. Coco Chanel, que revolucionou o vestuário feminino, começou como estilista customizando um suéter do seu parceiro. Fez tanto sucesso que as mulheres queriam se vestir igual. Foi uma libertação das roupas justas que oprimiam a silhueta.

O exercício é infinito. Aprendeu a cortar e costurar? Chegou o momento de estudar novas técnicas. Veja filmes para se inspirar. Deixe a sua imaginação fluir. Ressignifique peças, ouse com novos materiais. O tênis Puma tem um visual clássico, que combina com vários looks; por que não fazer dele uma tela em branco? Faça aplicações ou pinturas, deixe sua pegada no mundo, irradie sua forma de ser da cabeça aos pés.

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