O deputado estadual Pedro Kemp (PT) vai entrar com representação no Ministério Público Estadual contra o aumento da tarifa do transporte coletivo de Campo Grande. O valor do passe será de R$ 2,50 a partir do dia 1º de março, domingo próximo. O prefeito Nelsinho Trad (PMDB) concedeu o reajuste na sexta-feira passada, dia 20.
Kemp usou a tribuna da Assembléia, na sessão de hoje, para criticar a medida. Lembrou que desde assumir o mandato, em 2005, o prefeito Nelsinho Trad já reajustou a tarifa em quase 40% (era R$ 1,80 e agora passará a R$ 2,50). “Além das discussões sobre o aumento da tarifa serem feitas com o empresariado a portas fechadas, a população não foi ouvida. Com o aumento, o transporte público vai representar no mês praticamente 30% do salário mínimo”, disse.
O deputado argumenta que o aumento na tarifa acontece em meio à crise mundial e à desaceleração da economia, o que, no seu entender, poderá provocar mais demissões. “Eu pergunto: qual a contribuição que a prefeitura está dando para o enfrentamento da crise? O aumento do transporte vai onerar ainda mais a população, os comerciantes e empresários”, criticou.
Na representação ao Ministério Público, Kemp vai argumentar que a concessão das empresas do transporte coletivo já vem sendo questionada na Justiça, uma vez que não houve nova licitação para contratação dos serviços. Outra dúvida, apresentada pelo deputado, é quanto as planilhas utilizadas para conceder o aumento. “Essas planilhas são verdadeiras caixas pretas”, disse.
Com o aumento, o valor cobrado em Campo Grande pelo transporte coletivo será equivalente apenas a de quatro cidades do interior de São Paulo. No entanto, supera Brasília (R$ 2,10) e a capital de São Paulo (R$ 2,30), a maior cidade da América do Sul. Em Cuiabá a tarifa é de R$ 2,05 e em Goiânia, R$ 2,00. Já em Florianópolis o valor cobrado é R$ 2,10.