As exportações de Mato Grosso do Sul para os Estados Unidos cresceram 175% nos últimos cinco anos, passando de US$ 243 milhões em 2020 para US$ 669,5 milhões em 2024, conforme levantamento da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação). Com esse avanço, os EUA consolidaram-se como um dos principais destinos dos produtos sul-mato-grossenses, ao lado da Ásia e da Europa.
Nos dois primeiros meses de 2025, o estado já exportou US$ 84,7 milhões ao mercado norte-americano — o equivalente a 12,6% de todo o volume enviado em 2024. Se mantido esse ritmo, o ano pode fechar com novo recorde. No entanto, a recente decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 10% sobre as importações brasileiras, a partir de 5 de abril, acende um alerta para o setor produtivo local.
Desde 2020, Mato Grosso do Sul mantém saldo positivo na balança comercial com os EUA. Enquanto as exportações mais que dobraram, as importações oscilaram entre US$ 90 milhões (2020) e US$ 148,8 milhões (2024). O superávit comercial saltou de US$ 152,7 milhões em 2020 para US$ 520,6 milhões em 2024 — um crescimento de 241%.
Entre os produtos mais exportados para os Estados Unidos em 2024, destacam-se a celulose (US$ 213,4 milhões), a carne bovina e derivados (US$ 225,6 milhões) e os óleos e gorduras animais (US$ 46,1 milhões). Juntos, esses itens representam mais de 65% das exportações estaduais para o país norte-americano — e estão diretamente sujeitos aos efeitos da nova tarifa, que pode encarecer os produtos brasileiros no exterior.
“O mercado norte-americano é estratégico para Mato Grosso do Sul, especialmente para a carne bovina, celulose e óleos, que juntos representam a maior parte das nossas vendas. Com a nova tarifa, estimamos um impacto de cerca de US$ 66 milhões, o que pode afetar desde exportadoras até produtores rurais”, destacou o secretário da Semadesc, Jaime Verruck.
Para ele, a medida exige uma resposta do governo federal. “O Brasil mantém superávit com os EUA, e a solução pode passar por negociações para redução dessas alíquotas. Retaliações comerciais são delicadas, mas precisamos garantir competitividade, reduzir custos e acompanhar os impactos nos próximos meses”, completou.
Segundo Verruck, embora o estado também abasteça mercados como China e Europa, redirecionar imediatamente toda a produção não seria viável. O foco, agora, está em buscar alternativas para manter o ritmo das exportações e proteger a cadeia produtiva local.