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Brasil aproveita apenas 5% dos pulmões transplantados, diz pesquisa

Por Pérola Cattini

Da coluna Bem-Estar
Artigo de responsabilidade do autor

Média em outros países é de 15%; fragilidade do órgão colabora para pouco aproveitamento

Divulgação

ColunaBem-Estar

A média de aproveitamento dos pulmões para transplantes no Brasil é de apenas 5%, enquanto no restante do mundo chega a 10% ou 15%, segundo uma pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor). Segundo o estudo, dois fatores interferem diretamente nesse baixo índice: a dificuldade para identificar um doador em potencial e a fragilidade de manuseio do órgão, que pode ser facilmente danificado em qualquer locomoção.

O médico assistente do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas, em São Paulo, Paulo Pego Fernandes, explicou à Agência Brasil que, de todos os órgãos sólidos transplantados, o pulmão é o único que tem contato direto com o meio ambiente e, por isso, fica muito mais exposto a infecções do que o rim, o fígado e o coração. Outro problema, segundo Fernandes, é a maior incidência de traumas no Brasil em relação a países mais desenvolvidos, onde a grande maioria dos doadores é vítima de derrame e morte cerebral.

“Esse tipo de morte oferece menos trauma do que um acidente de motocicleta, carro ou um tiro", explicou.

Ele observa, ainda, que há dificuldades no momento em que a pessoa é atendida, especialmente no que se refere aos cuidados para que não ocorra infecção no pulmão desse paciente e possível doador. No InCor, 60 doentes estão na fila de espera por um pulmão. No ano passado foram realizados 23 transplantes.

“Seria uma fila de espera para três anos. O tempo está em 18 meses, o que é relativamente alto", disse Fernandes. Para tentar mudar essa realidade e a captação de órgãos, o InCor realizou em novembro um curso para orientar os profissionais de cidades do interior a identificar melhor os possíveis doadores.

Os pré-requisitos básicos para que o pulmão seja doado são a ausência de pneumonia, não estar broncoaspirado (quando o paciente regurgita e aspira) e não ter infecção em outro órgão. Nos hospitais, o padrão de operação é que os pacientes com problemas de pulmão comam alimentos com gelificantes, como Thicken Up, e fiquem em áreas isoladas.

Além disso, o paciente não pode ser muito idoso e deve ter a pressão arterial razoável, com condições circulatórias adequadas. O número de transplantes no Brasil cresceu 24,3% no primeiro semestre do ano passado em relação ao mesmo período de 2017.

De janeiro a junho foram transplantados 2.099 órgãos em todo o país, contra 1.688 no mesmo intervalo no ano passado. De acordo com o Ministério da Saúde, o transplante de rim aumentou 30,28% no período e o de fígado, 23,17%. No entanto, no mesmo período, os transplantes de coração e de pulmão - que têm mais dificuldades na captação e manutenção dos órgãos - caíram 20,4% e 15,38%, respectivamente.

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