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Esporte Sábado, 16 de Maio de 2015, 12:14 - A | A

Sábado, 16 de Maio de 2015, 12h:14 - A | A

Zé Mário critica ação da CBF e FFMS

Zé Mário critica Lei Pelé e fase ruim do futebol brasileiro

Técnico diz porque não trablaha mais no país

Gilson Giordano
Capital News

A. Ramos/Arquivo Capital News

Zé Mário critica Lei Pelé e fase ruim do futebol brasileiro

Participando do Congresso para técnicos de futebol, Zé Mário criticou o futebol brasileiro e a Lei Pelé

Em entrevista concedida ao Programa 360º, apresentado diariamente à Rádio Cultura, de Campo Grande, o ex-jogador e atual presidente da Federação Brasileira de Treinadores de Futebol (FBTF), Zé Mário disparou contra a atual situação vivida por alguns clubes no futebol brasileiro, além de tecer também, críticas como a forma que a Lei Pelé, criada para favorecer os jogadores acabou se tornando um instrumento nas mãos dos agenciadores que continuam agindo dentro do futebol brasileiro.

O ex-jogador Zé Mário, que atuava como volante e que se tornou nacionalmente conhecido ao formar a dupla de meio campo no Vasco da Gama, atuando ao lado de Zanata, participa do Encontro de Treinadores de Futebol que esta sendo realizado na Capital do Estado.

Reciclagem
Ao falar a respeito do evento ora realizado na Capital na mesma proporção, Zé Mário também criticou o fato de alguns treinadores de futebol terem feito “reciclagem” na Europa, pois em sua opinião, os profissionais daquele continente, “imitam” os treinadores brasileiros.

“O problema aqui no país, é que os dirigentes dos clubes não deixam os treinadores trabalharem em paz em função de exigirem os resultados imediatos”, apontou.
 
Futebol
Falando com conhecimento de causa e de quem viveu grande parte da vida nos campos de futebol, jogando por equipes como o Vasco da Gama, flamengo, Fluminense, São José e Portuguesa, ambas em são Paulo, Zé Mário não se fez de rogado e em bom tom criticou a atual fase do futebol brasileiro taxando o mesmo como grave crise técnica e essa atribuição é direcionada ao mau uso da Lei Pelé.

“O Futebol brasileiro atravessa a pior crise técnica de todos os tempos. Os jogadores que atuam no futebol de hoje, estão abaixo da crítica. A Lei Pelé, que eu tanto defendi, acabou se tornando ingrata para os clubes que formam os jogadores, mas depois aparecem os agentes e levam os mesmos deixando para os formadores (clubes) apenas 10% e quando muito 20% do valor da transação”, afirmou.

Vontade Política
A respeito de uma possível mudança na Lei Pelé, Zé Mário adiantou que, “falta vontade política. Isso porque os dirigentes dos clubes também não têm a vontade de mudanças (na Lei) porque eles acabam se beneficiando nas transações, nas negociações”, alfinetou.

Ainda falando a respeito da Lei Pelé, Zé Mário acabou reconhecendo que ele errou ao apoiar a sua criação, pois quando surgiu a idéia, a referida lei era para facilitar a lei do passe livre, que de certa forma iria ao encontro das aspirações dos jogadores.

“Tudo aconteceu de forma errada, pois quanto a essa mudança, o que mudou mesmo foi que o jogador saiu dos clubes e tiveram os passes presos juntos aos agenciadores”, disse.

Em tom de revolta e um pouco de desabafo, ele se pergunta: “O que fizeram da Lei Pelé?”, indagou.

Estado
Ao comentar a respeito da atual fase vivida pelo futebol de Mato Grosso do Sul, Zé Mário recordou com certa ponta de saudosismo, a fase áurea vivida pelos clubes do Estado, mais precisamente o Operário e Comercial, que na época arrebatavam milhares de torcedores no Morenão.

“O futebol daqui (do Estado) tem que ter uma ação mais direta da federação (de Futebol de Mato Grosso do Sul) para que tenha ao menos uma equipe da Série B, do Futebol Nacional. A Federação (FFMS) e a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), o que elas fazem é apenas organizar os campeonatos, no caso o estadual e o nacional. A CBF não desenvolve a modalidade com a realização de cursos. Deveria fazer isso (curso) no norte e em outros Estados do país”, disse.

Ao traçar um paralelo a respeito das equipes participantes da Copa do Brasil, promovida e organizada pela CBF, Zé Mário criticou durante a entidade máter do futebol brasileiro.

“Têm clubes que não tem nenhuma estrutura de participar de um evento nacional e de repente é campeão em seu Estado e entra na Copa do Brasil e deparam com os grandes do futebol brasileiro. É claro que sucumbem, pois não tem a estrutura necessária”, afirmou.

E ainda dentro do quadro crítico com a atual fase vivida pelo futebol brasileiro, Zé Mário continuou com o seu ponto de vista, demonstrando no programa 360º na Rádio Cultura, de Campo Grande.

“A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) “faz” campeonato quando deveria organizar tudo. No futebol de hoje, os jogadores e técnicos desses clubes sem a devida estrutura, têm apenas empregos virtuais”, garantiu.

Congresso
Sobre a realização do congresso voltado para treinadores de futebol, em Campo Grande, Zé Mário classificou como “bom” e recordou que já esteve como palestrante em Dourados. “Tem muita gente boa, o Cláudio (Roberto, ex-técnico do Corumbaense), é um deles e essa troca de informação é essencial, além disso, ficamos sabendo que Mato Grosso do Sul, terá a primeira escola para a formação de técnicos de futebol no país. Isso é importante ter uma escola voltada para a formação com curso de futebol”, festejou.

Sem chances
Finalizando a sua entrevista Zé Mário antes de ser interrogado sobre o farto, se adiantou e disse que, pela sua conduta ele não terá mais chances de dirigir nenhum time no futebol brasileiro e explicou os motivos.

“Antes, os dirigentes quebravam as suas empresas para investirem no futebol e com isso, eles (dirigentes), acabavam “quebrando”. Hoje, os dirigentes ficam ricos e deixam os clubes quebrados e eu como sou do futebol e não cai no futebol, sou contra isso (ação dos dirigentes) e por isso, não me deixam mais trabalhar no futebol do Brasil”, encerrou.

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