Reduzir custos na seleção de touros de raças leiteiras, evitando um gasto operacional que pode chegar a US$ 50 mil por exemplar. Essa é uma das vantagens de uma nova tecnologia que também permite acelerar o processo de seleção dos animais quanto às características desejáveis à melhoria do rebanho.
Outra novidade do novo método: a análise do DNA dos tourinhos candidatos a reprodutores cabe num chip que analisa, em apenas sete minutos, centenas de centenas de marcadores genéticos, para 12 diferentes animais ao mesmo tempo, com uma exatidão acima de 75%.
A tecnologia já tem resultados publicados e faz parte de um projeto do Laboratório Virtual da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária nos Estados Unidos (Labex Estados Unidos) e do Serviço de Pesquisa Agrícola (ARS), do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Conduzido pelos pesquisadores Curt Van Tassell (do ARS) e Marcos Vinícius Barbosa da Silva, da Embrapa Gado de Leite (Juiz de Fora-MG) e atualmente no Labex Estados Unidos, o trabalho trata do potencial uso da seleção assistida por marcadores (SAM).
Primeira publicação
A metodologia começou a ser avaliada em 2007, num estudo liderado por Van Tassell, em raças leiteiras americanas, com apoio de associações, centrais de inseminação e instituições dos Estados Unidos e do Canadá. Para isso foi desenvolvido um microarray chip contendo 54.000 marcadores moleculares de DNA. Estes marcadores são chamados polimorfirmos de base única (Single Nucleotide Polymorphisms-SNP). Em janeiro deste ano, o USDA lançou a primeira publicação dos valores genéticos dos touros americanos com base em marcadores genéticos, sendo utilizado o chip.
“Usando este chip pode-se comparar o DNA de bezerros e dizer aos criadores quais os animais seriam indicados a participar dos testes de progênie. Além disso, possibilita o estudo de associações entre esses marcadores genéticos e características de importância econômica, visando a identificação dos genes envolvidos na expressão da característica”, explica Marcos Vinícius.
Segundo o pesquisador brasileiro, isso significa reduzir o intervalo de gerações e de custos com testes de progênie (que avalia a capacidade genética do touro como pai, uma espécie de certificado de garantia de incrementos na produtividade dos rebanhos).
Com o uso da nova metodologia a genotipagem (análise do material genético) de cada touro custa entre US$ 225 e US$ 175 e pode ser realizada quando o animal acaba de nascer. “O método evita que se gaste até US$ 50 mil por animal, com a inclusão de touros de baixo potencial genético em estes de progênie”, explica Marcos Vinícius Silva. A economia se deve justamente porque a genotipagem pode ser feita logo após o nascimento do bezerrinho, enquanto pelo método convencional é preciso esperar que o animal atinja, em média, dois anos de idade, dependendo da raça, para que possa ser feito o teste de progênie.
Estudo no rebanho brasileiro
Responsável pelo desenvolvimento das metodologias e procedimentos estatísticos dessa tecnologia, o cientista Marcos Vinícius agora dá início a um estudo para analisar os SNPs em rebanhos brasileiros das raças gir e girolando. O projeto será realiado por um período de dois anos tem a aprovação e os recursos (em uma primeira etapa de R$ 120 mil) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Serão genotipados aproximadamente 450 touros (300 da raça gir e 150 girolando). A análise será com material armazenado no banco de DNA da Embrapa Gado de Leite. "O material já começa a ser enviado ao Labex. Vamos avaliar a possibilidade de implementação da seleção genômica nessas duas raças. Como resultado, queremos entregar aos criadores e às centrais de inseminação artificial as ferramentas e conhecimento necessários para facilitar o uso da seleção genômica para imediata aplicação nos programas de teste de progênie”, diz Marcos Vinícius. (Fonte: Embrapa)
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