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“A Peste”, de Camus, vira best seller em meio à pandemia

Por Luisa Pereira

Da coluna Cultura
Artigo de responsabilidade do autor

A obra não ficcional de 1947 narra a chegada de uma epidemia e tem suas vendas multiplicadas nas últimas semanas

Divulgação

ColunaCultura

O livro que se passa na década de 40 e conta a reviravolta na vida dos habitantes da cidade de Orã, na Argélia, depois de ser tomada por uma epidemia letal trazida por ratos, tem diversas semelhanças com o que o mundo vive atualmente em meio à pandemia do coronavírus e está sendo o companheiro de quarentena de milhares de europeus interessados por essa história.

“A Peste” teve suas vendas quase triplicadas e, em poucas semanas, se tornou o livro mais vendido do autor, filósofo e jornalista argelino Albert Camus. Mas não é a única obra de tema central de doenças que tomou grandes proporções e que está sendo muitíssimo requisitada na Europa – o que é compreensível, já que o continente protagonizou sérios problemas de saúde durante toda a história e está sendo mais uma vez abalado.

Por lá, a leitura sobre o tema está sendo procurada, tanto para entretenimento, quanto para análise, por universitários de diversas áreas – de estudantes de Letras a alunos da faculdade de Direito, todos movidos pelo interesse de compreender de que maneira o mundo passou por situações parecidas com a atual.

E a obra de Camus não deixa a desejar quando o assunto são paralelos que podem ser traçados com a atualidade. O romance tem como personagem principal um médico chamado Rieux, que está na linha de frente contra a doença, que dissipou boa parte da população. A narrativa expõe como os moradores da região começaram a agir fortemente no combate à enfermidade e como alguns se expuseram ao risco para salvar vidas. Conta também o lado nada empático do fato: os golpistas e aproveitadores que lucraram com a venda ilegal de medicamentos.

O livro também cita um importante problema que já ocorria no governo da época mediante à grande quantidade de contagiados: a burocratização das informações. O enredo mostra que os números de doentes e mortos eram, de certa forma, censurados pelas autoridades, e até mesmo o alerta à população de que medidas de proteção deveriam acontecer demorou a ser dado.

Estudiosos que analisaram a obra também alegam que ela faz referência à ocupação dos alemães na França e que o enredo, na verdade, tem como intenção não explícita ser uma crítica ao regime nazista e um relato sobre a resistência europeia ao nazismo. E isso pode ser identificado na epígrafe do livro, com a seguinte frase de Daniel Defoe, outro escritor: "É tão válido representar um modo de aprisionamento por outro, quanto representar qualquer coisa que, de fato, existe por alguma coisa que não existe".

Além de “A Peste”, outras obras não ficcionais que estão sendo destaque de vendas em diversos países da Europa são: “Virus, La Grande Sfida”, sobre a transmissão por vírus, do cientista Roberto Burione; “Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Saramago, que narra a treva branca, doença que deixou cegas muitas pessoas da mesma cidade; e “The Great Influenza”, do autor norte-americano John M. Barry, que aborda o forte vírus da gripe que matou mais de 100 milhões de pessoas em todo o mundo durante a Primeira Guerra Mundial.

 

 

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