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New Journalism: entenda como a técnica marcou a escrita

Por Luisa Pereira

Da coluna Cultura
Artigo de responsabilidade do autor

Revolucionando o jornalismo na década de 60, as histórias passaram a aproximar e envolver os leitores

Divulgação

ColunaCultura

Escrever é conectar, por meio das palavras, as informações com o leitor,  e o jornalismo faz isso com maestria. Mas, para manter essa qualidade, de tempos em tempos, a sociedade demanda mudanças na maneira de se comunicar, e algumas dessas reformulações, além de serem essenciais para potencializar a escrita jornalística, marcaram a profissão.

Entre esses momentos está o New Journalism, que surgiu por volta dos anos 60, influenciado por jornalistas como Tom Wolfe, Truman Capote e Gay Talese. O intuito da nova onda era somar características literárias com a tradicional objetividade das notícias, e, assim, narrar a história como um acontecimento pessoal, e não apenas como um fato.

Para isso, os autores passaram a escrever utilizando técnicas que aproximam o leitor da história. Entre elas, a descrição do ambiente, o desenvolvimento dos acontecimentos a partir da construção cena a cena, os diálogos com todas as gírias e oralidades, o uso da terceira pessoa e um dos elementos mais fundamentais: a contextualização da sociedade.

Todos esses detalhes envolvem e fazem com que o leitor, de certa maneira, se sinta parte da história. Afinal, o New Journalism permite transmitir a humanidade e intimidade dos personagens, o que aproxima e conecta a ponto de gerar compreensão, empatia e identificação com o desenrolar do fato.

A técnica é tão boa e permanente que toda faculdade de jornalismo possui um espaço reservado na grade curricular. Mas, se você não conhece nenhum livro-reportagem que utiliza o New Journalism, fique tranquilo. Aqui vão algumas dicas de leituras para que você entenda esta vertente.

Truman Capote: A Sangue Frio
Clássico do jornalismo literário, o livro conta a história do assassinato da família Clutter em 1959, no interior do Kansas, nos Estados Unidos, e narra a motivação e a trajetória dos assassinos Perry Smith e Dick Hikcock, executados em 1965.

Daniela Harbex: Holocausto Brasileiro
A jornalista investigou histórias do Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais, conhecido por internar à força pessoas marginalizadas e lucrar com a venda de corpos. Cerca de 70% dos pacientes não sofriam transtornos mentais e foram concentrados em um local sem estrutura e cuidados, inclusive para os que precisavam.

Gabriel García Márquez: Notícias de um Sequestro
Conhecido mundialmente como o grande nome da literatura latino-americana, o autor narra com detalhes os cativeiros e as negociações entre as famílias das vítimas e o governo durante a onda de sequestros que ocorreram na Colômbia na década de 90, a mando de Pablo Escobar.

John Hershey: Hiroshima
O bombardeio que chocou o mundo e fez mais de 100 mil vítimas é conhecido sob a ótica dos Estados Unidos, mas John Hershey se propôs a contar a história da tragédia a partir do relato emocionante de alguns sobreviventes de Hiroshima.

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