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Cotidiano Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007, 08:30 - A | A

Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007, 08h:30 - A | A

Estado têm dois casos de compatibilidade de medula óssea

Da Redação

Anderson Francisco Sidrack Dantas de Souza (foto) é um dos 26 mil voluntários a salvarem uma vida através do transplante de medula óssea, cadastrados na base de dados da Coordenadoria de Captação de Doadores Voluntários de Medula Óssea, vinculado ao Hemosul do Estado. Menos de dois meses após o cadastro, o voluntário foi chamado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) para doar a medula em Jaú, interior de São Paulo.

Segundo a Coordenadora pela captação, Lucéia Maria Fernandes da Silva, casos como de Anderson Sidrack poderiam ser mais constantes no Estado, se campanhas de conscientização em relação às doações fossem maiores. “Existem pessoas que não doam por medo de ficar ‘aleijado’, pensando que a doação é de medula espinhal. Precisamos desmistificar o processo de doação através de campanhas” afirma a coordenadora.

Anderson Sidrack esteve em Jaú por duas vezes para fazer a doação, tudo pago pelo Instituto. Da primeira fez a medula foi retirada por pulsão lombar, mas o receptor (ou receptora) teve baixa imunidade e precisou de uma segunda doação, feita por sistema de aférese. “Fui muito bem recepcionado pela equipe médica das duas vezes que estive lá. O pessoal do Instituto do Câncer cuidou de tudo, desde hospedagem até a volta para Campo Grande”.



Doador voluntário de sangue desde 87, Anderson falou da emoção de ser compatível e poder ajudar alguém: “Como doador de sangue já ajudei a salvar muitas vidas. Estou escolado em ajudar o próximo, mas doar medula é como ganhar um prêmio. Estou feliz de ganhar esse prêmio, da forma como tudo aconteceu - parecia ter uma influência de Deus nas doações”. Além de Sidrack, Nilza da Silva, de Nova Andradina, também foi compatível com outro doador e fez a doação no Rio de Janeiro.

Doadores

O banco de dados nacional tem 500 mil nomes cadastrados, a região que mais contribui é a nordeste. Estudos nacionais revelam que 54 por cento dos doadores são do sexo feminino, destes, pouco mais da metade têm entre 18 e 25 anos. Entre os homens a faixa etária varia de 26 a 35 anos. “Quanto mais cedo um doador se cadastrar maior será as chances de doar a medula” garante a coordenadora. De acordo com ela um doador pode se cadastrar dos 18 aos 55 anos, e doar até os 60.

Medula óssea

A medula é um tecido líquido que ocupa o interior dos ossos, sendo conhecida popularmente por 'tutano'. Na medula óssea são produzidos os componentes do sangue: as hemácias (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas. Pelas hemácias, o oxigênio é transportado dos pulmões para as células de todo o nosso organismo e o gás carbônico é levado destas para os pulmões, a fim de ser expirado. Os leucócitos são os agentes mais importantes do sistema de defesa do nosso organismo, inclusive nos defende das infecções. As plaquetas compõem o sistema de coagulação do sangue. Já a medula espinhal é formada de tecido nervoso que ocupa o espaço dentro da coluna vertebral e tem como função transmitir os impulsos nervosos, a partir do cérebro, para todo o corpo.

O Transplante

A doação é um procedimento que se faz em centro cirúrgico, sob anestesia peridural ou geral, e requer internação por um mínimo de 24 horas. Ou por sistema de aférese: uma máquina retira a medula do sangue, que entra na corrente sangüinea induzida por remédios. Antes da doação, o doador faz um exame clínico para confirmar o seu bom estado de saúde. Não há exigência quanto à mudança de hábitos de vida, trabalho ou alimentação. A doação é feita por meio de uma pequena cirurgia, de aproximadamente 90 minutos, em que são realizadas múltiplas punções, com agulhas, nos ossos posteriores da bacia e é aspirada a medula.

O receptor se submete ao tratamento que destrói a própria medula, e o paciente recebe a medula sadia como se fosse uma transfusão de sangue. Essa nova medula é rica em células chamadas progenitoras, que, uma vez na corrente sangüínea, circulam e vão se alojar na medula óssea, onde se desenvolvem. No pós operatório os cuidados com a dieta, limpeza e esforços físicos são necessários, e o paciente continua a receber tratamento ambulatorial.

Para ser um doador

Qualquer pessoa entre 18 e 55 anos, gozando de um bom estado geral de saúde pode se cadastrar como doador voluntário de medula óssea no hemocentro do Estado. Na capital, o cadastro pode ser feito na Santa Casa, nos hospitais Regional e Universitário e no próprio Hemosul. No interior, Dourados e Ponta Porã também fazem o cadastro.

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