O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu nesta quinta-feira (3) ao anúncio do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que prometeu tarifas entre 10% e 50% sobre produtos importados por norte-americanos. Em resposta, Lula criticou as medidas protecionistas e afirmou que o Brasil não aceitará imposições unilaterais em acordos internacionais.
“Um país [o Brasil] que não tolera ameaça à democracia, que não bate continência para nenhuma outra bandeira que não seja a verde e amarela”, afirmou Lula durante um evento de balanço das ações do governo desde o início do mandato, em 2023.
O presidente brasileiro exigiu “reciprocidade no tratamento” entre nações e defendeu o multilateralismo e o livre comércio. “Responderemos a qualquer tentativa de imposição de um protecionismo que não cabe mais hoje no mundo”, declarou.
Medidas de retaliação
Lula afirmou que o governo tomará “todas as medidas cabíveis” para defender os interesses nacionais, com base na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada na Câmara dos Deputados na quarta-feira (2). A proposta, que agora segue para sanção presidencial, estabelece critérios para ações de retaliação a países que adotem barreiras contra produtos brasileiros com o objetivo de prejudicar a competitividade internacional do Brasil.
“Diante da decisão dos Estados Unidos de impor uma sobretaxa aos produtos brasileiros, tomaremos todas as medidas cabíveis para defender as nossas empresas e nossos trabalhadores brasileiros”, garantiu Lula.
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Trump defende tarifas "gentis"
Na justificativa das novas tarifas, Trump alegou que a medida corrige “injustiças” nas relações comerciais com países que, segundo ele, impõem barreiras aos produtos americanos. O ex-presidente classificou as tarifas como “gentis” e disse que a ação já deveria ter sido tomada há muito tempo.
O embate eleva o tom das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e pode reacender discussões sobre a condução da política externa brasileira frente a potenciais mudanças no cenário político internacional, especialmente com a possibilidade de Trump retornar à Casa Branca. (As informações são de reportagem da CNN Brasil)