Quinta-feira, 19 de Junho de 2008, 07h:16 -
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Brasil empata sem gols com Argentina aos gritos de \'adeus Dunga\'
Redação Capital News (www.capitalnews.com.br) (JG)
Para a torcida mineira, chegou ao fim a "era Dunga" à frente da seleção brasileira. A equipe empatou em 0 x 0 com a rival Argentina, nesta quarta-feira, no Mineirão, e a pressão sobre o treinador chegou ao maior nível desde que o ex-jogador virou técnico.
Mesmo com um time mais ofensivo em relação ao que perdeu para o Paraguai no domingo -- com Anderson, Júlio Baptista e Adriano nos lugares de Josué, Diego e Luis Fabiano -- o time passou mais uma vez em branco e está em quarto lugar nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, com 9 pontos em 6 jogos. O líder é o Paraguai, com 13 pontos.
Ao fim da partida, os mais de 52 mil torcedores no estádio sentenciaram o que pensam sobre o futuro do treinador: "Adeus Dunga, adeus Dunga".
"Acho que a cobrança tem que ser em cima de todo mundo (e não apenas sobre Dunga). Empatamos um jogo que podíamos ter ganho. Normal as críticas", disse o atacante Robinho logo após o confronto.
A formação brasileira com dois jogadores mais adiantados no meio-campo e a postura agressiva na marcação colocaram a Argentina sob pressão nos primeiros minutos.
Empurrada pelos gritos de "Brasil" da arquibancada, a seleção já tinha cobrado dois escanteios antes dos seis minutos, o segundo escorado de cabeça com perigo pelo zagueiro Juan.
Duas oportunidades incríveis de abrir o marcador foram perdidas aos 23 e 24 minutos, primeiro com Júlio Baptista e depois com Robinho, irritando parte da torcida, que xingou o atacante.
Numa jogada iniciada por Adriano, Robinho deu um lindo drible em cima do marcador, invadiu a área, e bateu cruzado, mas o chute foi desviado. No rebote, a bola sobrou limpa para Júlio Baptista, mas o meia, de frente para o gol, bateu em cima do goleiro Abbondanzieri. Em novo rebote, Robinho mandou pra fora.
Logo na jogada seguinte, outra chance perdida por Robinho. O atacante do Real Madrid foi lançado na ponta esquerda e driblou o goleiro argentino na lateral da área. Mas em vez de chutar ou cruzar para Adriano, o atacante insistiu na jogada individual e acabou desarmado pela defesa.
Jogador de melhor movimentação no meio brasileiro, Anderson sentiu uma contusão no joelho esquerdo e deixou o gramado, aos 33 minutos, para a entrada de Diego, que teve o nome gritado pela torcida no Mineirão.
Do lado argentino, o jogo era mais cadenciado, com muitas trocas de bola no meio entre o trio Gago, Riquelme e Messi. O time avançava principalmente pela esquerda, com o ala Gutiérrez, mas a única chance real de gol saiu apenas no último minuto.
O zagueiro Coloccini acertou ótimo lançamento e deixou Messi de frente para o goleiro Júlio César, mas o astro do Barcelona finalizou mal, mandando a bola para lateral.
TORCIDA IRRITADA
O 0 x 0 frustrou a torcida mineira, que manteve-se tímida pela maior parte do tempo e vaiou enquanto os times iam para o vestiário. Adriano, demonstrando muita disposição em todas as jogadas, foi eximido e teve seu nome gritado um pouco antes do intervalo.
"Tem que tocar um pouco mais rápido porque eles estão marcando de perto", disse o atacante da Inter de Milão, carrasco dos argentinos na Copa América de 2004 e na Copa das Confederações de 2005.
O segundo tempo começou com a primeira "ola" da torcida, que passou a participar um pouco mais da partida incentivando a equipe. Mas o apoio não durou muito tempo.
Quem voltou melhor foi a Argentina, principalmente nas jogadas pela esquerda. Após ótimo passe de Riquelme por aquele lado, Júlio Cruz ficou livre de frente para o gol brasileiro, mas o chute saiu por cima.
A resposta brasileira foi numa cobrança de falta de Júlio Baptista, pela meia esquerda, que foi mandada a escanteio pelo goleiro argentino.
Com o Brasil sem saber como entrar na defesa Argentina e a equipe adversária melhor em campo, a paciência da torcida acabou após 67 minutos de partida.
Aos 22 minutos da etapa final, os primeiros xingamentos de burro, que ganharam o coro uníssono do estádio inteiro com a substituição de Adriano por Luis Fabiano, três minutos depois. Em contraste com as vaias ao treinador, Adriano deixou o campo aplaudido.
A terceira alteração promovida por Dunga -- Daniel Alves no lugar de Diego -- foi novamente marcada por gritos de burro, seguidos por "adeus Dunga".
No gramado, o Brasil sentiu a pressão e se encolheu, dando espaço para a Argentina impor seu ritmo de jogo e ameaçar o gol brasileiro em cobranças de falta pelo alto.
Nos últimos minutos, Júlio César ainda salvou o Brasil de uma derrota ao defender um chute forte de Messi, que deixou o campo aplaudido pela torcida brasileira ao ser substituído por Palacios. (Agência Estado)