Campo Grande 00:00:00 Sexta-feira, 04 de Abril de 2025



Esporte Sexta-feira, 20 de Junho de 2008, 13:15 - A | A

Sexta-feira, 20 de Junho de 2008, 13h:15 - A | A

Dunga vê conspiração e ataca aliados da CBF

Da Redação- (DA)

Para Dunga, uma verdadeira teoria da conspiração é o motivo dos maus resultados da sua seleção brasileira, que não vence há três jogos, confrontos em que também não marcou gols.

E os principais alvos do treinador, como mostrou em entrevista após o empate com a Argentina em Belo Horizonte, quarta-feira, são aliados do caixa da CBF e de seu presidente, Ricardo Teixeira.

Dunga reclamou da imprensa, com recado indireto para a Rede Globo, do público que lotou o Mineirão e da arbitragem do colombiano Oscar Ruiz.

Após o empate contra os argentinos, o treinador respondeu de forma ríspida à pergunta de um repórter da emissora e deu recado.

"Vim para fazer um trabalho, e algumas pessoas não estão contentes. Coloquei regras, e alguns não gostaram disso", disse o treinador, que se referia ao veto de entrevistas exclusivas e a restrições na montagem de grandes estruturas de emissoras de TV nos locais de treinamentos da seleção, fato corriqueiro para a Globo nos tempos de Carlos Alberto Parreira.

A emissora tem os direitos de transmissão de todos os amistosos da seleção e também dos jogos da equipe em casa pelas eliminatórias. Boa parte do dinheiro que gasta, na casa dos milhões, vai para a CBF.

Após o pífio empate no Mineirão, o treinador reclamou do comportamento da torcida, que o chamou, entre outros xingamentos, de "jumento".

"O que gostaria é que no momento mais difícil e complicado a seleção tivesse apoio, Se tiver que reclamar e xingar, que faça depois do jogo", disse o técnico, que elogiou até o comportamento da torcida do Peru, lanterna destas eliminatórias.

Ao atacar o público, Dunga depõe contra uma fonte de faturamento que passou a ser mais rentável até do que os amistosos da seleção no exterior. No Mineirão, a renda superou os R$ 6,6 milhões, ou mais de US$ 4 milhões. Nos jogos amistosos na Europa ou nos EUA, a cota da seleção está em torno de US$ 1,2 milhão.

Além de Dunga, outros jogadores criticaram o comportamento da torcida. O meia Elano disse que as vaias eram injustas. O lateral-esquerdo Gilberto se irritou com os aplausos dos mineiros para o astro argentino Messi, que saiu ovacionado ao ser substituído já nos minutos finais do clássico.

"Nós tivemos a nossa chance de vencer no primeiro tempo. Na outra eliminatória, ele [o árbitro] deu três pênaltis. Agora, tivemos um e nada aconteceu. O juiz truncou a partida, não deixou o jogo correr. Queríamos que o jogo corresse mais", falou Dunga sobre a atuação de Ruiz, que apitou o jogo entre Brasil e Argentina nas eliminatórias passada em casa, com três gols de pênalti de Ronaldo.

Ao criticar a arbitragem, Dunga toca em assunto que é prioridade de Ricardo Teixeira. O cartola é, há muitos anos, o vice-presidente da Comissão de Arbitragem da Fifa, e algumas vezes, como na Copa de 2002 (caso do jogo contra a Bélgica), o Brasil já foi acusado de favorecimento pelos juízes.

O treinador não terá tempo para descansar de seu inferno astral. Hoje, ele se apresenta com o time olímpico para a preparação para o jogo contra uma seleção do Rio de Janeiro, no domingo, em Volta Redonda.

Depois da Olimpíada de Pequim, em agosto, a seleção volta a campo pelas eliminatórias da Copa do Mundo em setembro, quando enfrentará Chile, em Santiago, e Bolívia, provavelmente no Rio de Janeiro. (Folha)

Comente esta notícia


Reportagem Especial LEIA MAIS