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Domingo, 17 de Julho de 2022, 09h:13
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20 anos sob a sombra de abusos sexuais

Projeto iniciado na igreja ajudou pedagoga a ressignificar a sua história

Renata Silva
Especial para o Capital News

Acervo pessoal

20 anos sob a sombra de abusos sexuais

Damares

Damares é uma mulher sonhadora e cheia de planos, mas nem sempre foi assim. A história da pedagoga, moradora de Campo Grande, mãe solo de dois filhos, foi carregada de muita tristeza e levou 20 anos para ser ressignificada.

A infância da jovem foi perdida aos 6 anos de idade, Damares foi vítima de abusos sexuais. Ela conta que foram pelo menos três vezes, todos ainda criança, com pessoas diferentes. Os abusos trouxeram traumas e alguns transtornos, que ela carregou até os 26 anos de idade em silêncio.

"Eu tive pânico, vergonha de tudo, do meu corpo"


“Eu tive pânico, vergonha de tudo, do meu corpo, doenças psicossomáticas, manias de limpeza com ambientes e até com próprio corpo. Eu tomava vários banhos por dia”, detalha Damares. Além de tudo isso, ela carregava um sentimento de ódio, de injustiça que não a deixava ser feliz, tudo mudou quando ela conheceu a Psicóloga Gisele Oliveira, que ajudou a pedagoga a ressignificar a história dela.

Gisele tem 48 anos é Psicóloga Clínica desde 2014 com especializações em Terapias Cognitivo Comportamental, Sistêmica Familiar. Ela é criadora de um Programa de empoderamento a vítimas de abusos tanto sexuais, violência doméstica, relacionamentos tóxicos chamado Pro-Eva, programa este que a Damares participou.

Acervo pessoal

20 anos sob a sombra de abusos sexuais

Gisele Oliveira: As mulheres precisam de acolhimento, de alguém que acredite em seu relato e entendem que não são culpadas


Por meio do programa são trabalhados vários temas como a identificação dos abusos, o que são, tipos, perfil das vítimas e dos abusadores, nomeação dos sentimentos causados pelos abusos, entre outros. A psicóloga explica que as ferramentas usadas para alcançar o objetivo são dinâmicas psicológicas no início para tratar as dores e traumas e ferramentas de coaching no final para ajudá-las a terem perspectivas de futuro.

Os encontros são semanais, sigiloso e quem participa, não paga nada. Gisele fala que o que as mulheres precisam é de acolhimento de alguém que acredite em seu relato que entendam que não são culpadas. “Elas se descobrem durante o curso, a maioria vem só por curiosidade, pressentem que há algo errado, mas não sabem que é abuso. Pra romper precisa de conhecimento do assunto, autoconhecimento e apoio”, detalha Gisele.

 

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Foi isso que a Damares precisava para reescrever a sua história. A jovem conheceu a psicóloga numa igreja, ela lembra que na época o Pro-Eva ainda não existia, no entanto a Gisele já fazia um trabalho com mulheres, vítimas de violência no local. “Foi o começo de tudo, após um tempo, ela criou o Programa, onde eu logo quis participar e pude tirar todo sentimento de culpa e aprender que fui vítima”, explica a pedagoga.

"Hoje, após esse grupo, sou outra pessoa, inicie faculdade, terminei esse ano e pude dividir e ajudar outras pessoas que passaram e passam por abusos"

 

A jovem conta que aprendeu a ressignificar a vida dela ao lado de várias pessoas, que também haviam passado pela mesma situação ou piores. “O grupo faz você enxergar que existe um caminho onde tudo pode ser restaurado e curado através da terapia, do falar e do escutar. Hoje, após esse grupo, sou outra pessoa, inicie faculdade, terminei esse ano e pude dividir e ajudar outras pessoas que passaram e passam por abusos”, agradece.

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