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Sábado, 02 de Julho de 2022, 08h:52
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Orgulho LGBTQIA+: Mikaella é a primeira arbitra transexual do MS

“O preconceito é ao acordar, mas a força é elemento fundamental para o enfrentamento”, enfatiza a profissional.

Renata Silva
Especial para o Capital News

Acervo pessoal

Orgulho LGBTQIA+: Mikaella é a primeira arbitra transexual do MS

Jogos universitários CG

Acervo pessoal

Orgulho LGBTQIA+: Mikaella é a primeira arbitra transexual do MS

Mikaela Lima Lopes

Nesta semana foi celebrado o dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, uma data cujo o principal objetivo é conscientizar a população da importância do combate a homofobia, na sociedade e no local de trabalho. O Capital News bateu um papo com a Mikaella, a primeira arbitra transexual do Estado.

 

Nascida em Luziânia em Goiás, a Mikaela Lima Lopes de 38 anos, se mudou aos 2 anos de idade com a família para Campo Grande MS. Filha de Nelson Maciel e Maria Ana, ainda criança sabia de sua orientação sexual, que era uma criança trans, mesmo sem acesso ao mundo LGBT.

De uma família religiosa e conservadora, ela conta que teve uma criação maravilhosa, no entanto sabia que faltava algo e, não na época, não entendia como ir atrás da felicidade sem machucar os pais. Entretanto foi através de um convite simples que encontrou a motivação que faltava para se descobrir por completo e trilhar o seu caminho.

"Eu encontrei uma motivação, um amor ao esporte"


Aos 13 anos de idade Mikaela foi convidada por uma professora, chamada Maria de Jesus, do colégio Domingos Gonçalves para jogar voleibol, esse foi o ponta pé de tudo, conta. “Eu encontrei uma motivação, um amor ao esporte. Além de arbitra, jogo até hoje, atualmente pelo time vôlei Feminino AABB em Campo Grande”, detalha.


Após 5 anos, aos 18 anos decidiu morar sozinha na contramão de muitos da população LGBTQIA+ que são expulsos de casa, ela se mudou para viver em plenitude. Embora já soubesse da sua orientação sexual, a transição foi tardia, aos 23 anos de idade. “Comecei as mudanças aos poucos, fui me encontrando como mulher que sou”.

“Foi muito difícil pra mim e sei que pra eles também não foi nada fácil perder um filho e ganhar uma filha”

 

Foram cerca de dois anos de transição, mesmo período que ficou longe dos pais que haviam se mudado para outra cidade. Ela fala que seu maior desafio foi a aceitação deles ao reencontrá-la como Mikaela, “foi muito difícil pra mim e sei que pra eles também não foi nada fácil perder um filho e ganhar uma filha”, completa.

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Orgulho LGBTQIA+: Mikaella é a primeira arbitra transexual do MS

Com os pais: Nelson Maciel e Maria Ana

A Arbitragem
A ideia de seguir a profissão de árbitra surgiu após analisar que, depois de uns anos, teria de sair das quadras como atleta, e como arbitra poderia continuar envolvida, mesmo que de outra forma. Ela conta que assim que abriu uma oportunidade para atuar na área, fez a inscrição, estudou e passou, “simples assim”, brinca Mikaela.

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Orgulho LGBTQIA+: Mikaella é a primeira arbitra transexual do MS

Com o professor André


A sua primeira competição atuando como arbitra foi durante os jogos da juventude em Três Lagoas, interior do Estado. Ela explica que foi uma experiência muito bacana.

Mikaela fala que na profissão ainda não viu preconceito de forma escancarada, mas sim velado. Ela diz que, quando se formou, soube de uma pessoa que comentou que não iam deixá-la apitar porque poderia “manchar” o nome da Federação. “Devido a educação que eu tive de saber sair e entrar de qualquer lugar com respeito e educação familiar, mostrei que sou uma pessoa como qualquer outra” e ate hoje tenho o respeito de todos e todas amigos(as) árbitros de MS que me informaram que sou a 1º Arbitra de Voleibol do país.

"Não buscamos aceitação buscamos respeito e igualdade de direitos"


Mas no dia dia ela já passou inúmeros preconceitos, ela destaca que a mulher Trans/travesti sofre preconceitos ao acordar, mas que a força é elemento fundamental para o enfrentamento de todos os estereótipos. “Eu digo sempre que o preconceito nada mais e do que o medo daquilo que você desconhece e a partir do momento que você começa a mostrar pra estas pessoas que somos humanos você quebra esses medos, por que não buscamos aceitação buscamos respeito e igualdade de direitos”, reforça.

Mikaela é arbitra há 3 anos e também atua como Assessora na Coordenadoria de Politicas Publicas LGBT em Campo Grande-MS. O seu maior sonho é que o Brasil saia do ranking de países que mais matam pessoas LGBT no mundo, pelo 13º ano consecutivo. Ela enfatiza que ainda quero estar viva pra ver isso.

“Não deixem de acreditar, não se escondam, não parem de lutar e exijam e se dão ao RESPEITO. Por que sua liberdade acaba quando começa a do outro”, finaliza.

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