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Produtores alertam para falta de incentivo estatal no cinema brasileiro

Luisa Pereira

Da coluna Cultura
Artigo de responsabilidade do autor

Corte de orçamento preocupa cineastas sobre o futuro do setor no país

Divulgação

ColunaCultura

O corte de 43% do orçamento de 2020 do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), vinculado à Agência Nacional do Cinema (ANCINE), preocupa os profissionais da área. Isso porque, com menos dinheiro, as produções brasileiras podem estar ameaçadas.


Mesmo antes dos cortes, os recursos já demoravam a chegar aos produtores, como relata Rachel Daisy Ellis, cineasta da produtora independente Desvia, em entrevista para a Variety. “Existem vários produtores, inclusive nós, que têm projetos que receberam apoio do fundo regional de Pernambuco em 2017 e 2018, mas nunca o receberam”, afirma.


A falta de recursos afeta, sobretudo, os projetos independentes e que mais precisam de investimentos. "É cinema sangrento, é cultura sangrenta. Há uma sensação de desgraça, uma anemia em relação à cultura e ao cinema ”, diz Karim Aïnouz, diretor de Vida Invisível de Eurídice Gusmão.

Os cortes
Com o projeto de lei apresentado pelo presidente Jair Bolsonaro ao Poder Legislativo no final de 2019, o setor audiovisual terá um recebimento previsto de R$ 415,3 milhões em 2020, contra os R$ 723,1 milhões do ano anterior. Essa é a menor dotação para o fundo desde 2012, quando R$ 112,36 milhões foram orçados.


Na prática, com os investimentos referentes ao ano de 2019 e que ainda não foram recebidos, existe a possibilidade de que a verba não seja a mais baixa desde 2012. Como o  Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual, que é o responsável por definir os rumos do setor, ainda não foi empossado pelo governo, os investimentos necessários estão travados.


Os recursos são usados de duas formas: por meio de financiamento de projetos, com empréstimos que serão pagos depois, e de investimentos, que contam com a participação de empresas e projetos. A segunda categoria é responsável pela maior parte do orçamento, e foi justamente nela que houve a maior redução. De 90% -- R$ 650 milhões ao todo --, eles passam a ser 72%, o equivalente a R$ 300 milhões.


Para o ex-ministro da Cultura e deputado federal Marcelo Calero, esse corte representa uma declaração de guerra do governo contra um setor que gera empregos. Segundo ele, o fundo se “retroalimenta” com os resultados das produções desenvolvidas e das taxas cobradas. “Acaba sendo até pouco inteligente do ponto de vista da lógica administrativa”, criticou em entrevista à Folha de São Paulo.


A indústria cinematográfica é capaz de gerar empregos diretos e indiretos, sejam atores, atrizes, produtores, diretores e demais profissionais envolvidos na produção em si, costureiras, encanadores, eletricistas, figurinistas, etc. Com a movimentação da economia local, o turismo também ganha força com a venda de passagens aéreas, passeios e visitas às áreas de filmagem.

 

 



 


 

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