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ENTREVISTA
Sábado, 16 de Julho de 2022, 08h:58
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Da igreja para o mundo

Ha 8 anos Psicóloga ajuda mulheres vítimas de violência de graça em MS

Renata Silva
Especial para o Capital News

Há pouco mais de dez anos Gisele começou um trabalho com mulheres na igreja, a ideia surgiu após identificar que muitas delas eram vítimas abusos como violência doméstica, psicológica, patrimonial por parte de seus companheiros. Da igreja, o projeto partiu para o mundo, um programa maior de empoderamento a vítimas chamadas Pro-Eva.

Acervo pessoal

Da igreja para o mundo

A psicologia é a principal ferramenta de ajuda. Ela que possibilita nomear os abusos e as sequelas por eles deixados


Por meio de palestras, dinâmicas e outras atividades o Programa ajuda as mulheres a ressignificarem as suas histórias. Ele esta presente em instituições como a Casa de Qualificação da Funtrab, Casa abrigo da Casa da Mulher Brasileira, Presídio feminino Irma Zorzi, Presídio masculino para orientações aos abusadores e outros lugares como comunidades de bairro.

Gisele Oliveira é psicóloga desde 2014, tem 48 anos é casada com Rafael Jara e tem 3 filhos e 2 netos. Com especializações em Terapias Cognitivo Comportamental e Sistêmica Familiar, Psicologia das crises e emergências, Personal e Positive Coaching pela Sociedade Brasileira de Coaching e Hipnose Clínica atua na sua própria clínica.

 

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1. Capital News: Por que trabalhar com mulheres?
Gisele Oliveira: Porque já atendia mulheres em uma igreja e descobri que a maioria delas havia sofrido abusos, principalmente sexuais, não podia negar ajuda, embora não era minha área de atuação, decidi aprender tudo que podia sobre o assunto para ajudar.

2. Capital News: Qual a principal necessidade delas?
Gisele Oliveira: Acolhimento, que alguém acredite em seu relato e entenderem que não são culpadas

3. Capital News: Conta a história do Pró-Eva?
Gisele Oliveira: Pro-Eva significa Programa de empoderamento a vítimas de abusos. Nasceu em 2013, inicialmente com o nome de Tamar, por causa do relato bíblico sobre a filha do rei Davi que foi estuprada por seu irmão e teve sua vida destruída. Posteriormente o nome foi alterado para Pro-Eva. Por meio dele, realizo um curso com conteúdo pautado na psicologia. Esse Programa que se iniciou na igreja se expandiu para outras instituições como a Casa de Qualificação da Funtrab, Casa abrigo da Casa da Mulher Brasileira, Presídio feminino Irma Zorzi, Presídio masculino para orientações aos abusadores e outros lugares como igrejas e comunidades de bairro.


Trata-se de um programa de 12 semanas ou menos, de acordo com a disponibilidade do grupo, com reuniões semanais com duração de duas horas divididas em palestra, dinâmicas de grupo e compartilhamento. O grupo é sigiloso e gratuito.

4. Capital News: Quantas mulheres já foram atendidas?
Gisele Oliveira: Como já levei para outros estados, não tenho o número exato, mas passa de 1.000 mulheres.

5. Capital News: O que é trabalhado no Programa?
Gisele Oliveira: Os temas são: Identificação dos abusos, o que são, tipos, perfil das vítimas e dos abusadores; Nomeação dos sentimentos causados pelos abusos; Lidando com a raiva; Sexualidade e afetividade; Diferença de amor e dependência emocional; Reaprender a viver; Descobrir valores, talentos e habilidades para buscar independência financeira. As ferramentas são dinâmicas psicológicas no início para tratar as dores e traumas e ferramentas de coaching no final para ajudá-las a terem perspectivas de futuro.

6. Capital News: Quais desafios que você observa nesse trabalho?
Gisele Oliveira: Os desafios são por ser gratuito com meus próprios recursos.

7. Capital News: Qual perfil das mulheres que participam desse projeto e dos abusadores?
Gisele Oliveira: Perfil, geralmente classe média, casadas, mães, religiosas (o que mais prende elas no relacionamento abusivo é a religião). Os abusadores classe média, trabalhadores, aparentemente pessoas de bem e muitos religiosos.

8. Capital News: Como a mulher descobre que é vítima de violência e como romper o ciclo de violência?
Gisele Oliveira: Elas descobrem durante o curso, a maioria vem só por curiosidade, pressentem que há algo errado, mas não sabem que é abuso. Pra romper precisa de conhecimento do assunto, autoconhecimento e apoio

9. Capital News: Quais principais relatos de mulheres chegam pra vc?
Gisele Oliveira: Todos os tipos, desde abusos psicológicos leves, graves até estupros dos próprios pais biológicos, agressões, estelionatos, tentativas de feminicídio.

10. Capital News: Como a psicologia pode ajudar? E quais os desafios para o profissional e também para a pessoa que busca tratamento?

"Para as vítimas, o desafio maior é romper com o preconceito da própria família e igreja. Vencer o medo de passar necessidade sem o parceiro e dos filhos sofrerem"

Gisele Oliveira: A psicologia é a principal ferramenta de ajuda, pois é ela que possibilita nomear os abusos e as sequelas por eles deixados. Os desafios para os profissionais e que as faculdades não ensina quase nada sobre o assunto, então, precisamos buscar o conhecimento de outras maneiras. Nem todos os profissionais possuem o manejo adequado. Para as vítimas, o desafio maior é romper com o preconceito da própria família e igreja. Vencer o medo de passar necessidade sem o parceiro e dos filhos sofrerem.

11. Capital News: A terapia auxilia?
Gisele Oliveira: Terapia liberta! Traz luz sobre situações confusas, solta sentimentos bloqueados e fortalece o indivíduo para tomar decisões assertivas.

12. Capital News: Quais dicas você deixa para as pessoas?
Gisele Oliveira: Ja passou o tempo de ficarmos na ignorância aceitando comportamentos abusivos como se fossem normais e culturais, a cultura do abuso já começou a mudar para uma cultura de respeito, mude você também.

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