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Domingo, 29 de Maio de 2022, 09h:12
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Marcas de uma infância perdida

Psicanalista diz que é possível ressignificar a história de quem foi vítima de abuso sexual

Renata Silva
Especial para o Capital News

Acervo pessoal

Marcas de uma infância perdida

Conhecendo as Cataratas do Iguaçu em Fóz no PR

“Tenho na minha memória toques, barulhos e sensações nojentas que até hoje, mais de 40 anos, causam náuseas, transtornos, revoltas e sentimentos de culpa”, relata Evanir Campos. Moradora de Campo Grande, a dona de casa de 48 anos relata os sentimentos que a perseguem até hoje, após ter sido abusada sexualmente na infância.

“Tenho na minha memória toques, barulhos e sensações nojentas que até hoje, mais de 40 anos, causam náuseas, transtornos, revoltas e sentimentos de culpa”


Evanir é uma mulher cristã, de sorriso largo, mas que luta, todos os dias, luta contra a depressão, uma das consequências causadas pelos abusos sofridos. Segundo ela, tudo começou aos 5 anos de idade, dentro de casa, por um tio, que começou tocando nos órgãos genitais dela. Como ela era muito criança, não entendia o que estava acontecendo e porquê estava passando por isso.

A situação foi se repetindo e aos 8 anos de idade o ato foi consumado. Diante do fato, muito abalada, ela lembra que procurou a mãe para contar o que havia ocorrido, mas não teve o apoio esperado. “Ao falar com minha mãe a resposta foi: Você é assanhada, como uma cadela no cio, a culpa é sua. Durante muitos anos, isso ecoou no meu ouvido e eu me senti culpada”, relembra.

Acervo pessoal

Marcas de uma infância perdida

Evanir em uma de suas viagens


Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública 85,2% dos casos de abuso sexual infantil foram cometidos por conhecidos da vítima. Uma cartilha elaborada pela Psicanalista e coordenadora do Projeto NOVA, (um projeto que oferece tratamento psicossocial às vítimas de abuso e exploração sexual) Viviane Vaz, o abusador se aproveita do fato de a criança ter sua sexualidade despertada para consolidar a situação de acobertamento.

 

Conforme a cartilha a criança se sente culpada por sentir prazer e isso é usado pelo abusador para conseguir o seu consentimento. O estudo mostra que 86,9% dos autores são homens, grande parte tem histórico de violência na infância. “Quando uma criança está sendo abusada, ela começa a apresentar alguns sinais, como baixa autoestima; Dificuldade de aprendizagem, baixo rendimento escolar; Agressividade, mudança de humor, falta de apetite; Alteração no sono, etc”, explica Viviane.

As consequências para a vida adulta de uma criança que foi abusada são graves e exigem tratamento, acrescenta Viviane. Uma criança que sofre abuso pode desenvolver doenças psicossomáticas; psiquiátricas como Depressão e Ansiedade. Além disso, pode ter transtornos e dependência de álcool e drogas; comportamentos de Risco (compulsões alimentares, sexuais, etc); IST (Infecção sexualmente transmitida); em alguns casos, aborto, cometa ela.

"As consequências para a vida adulta de uma criança que foi abusada são graves e exigem tratamento"


Aos 11 anos de idade Evanir começou a usar drogas entre elas cocaína e pasta base. Para manter o vício, se prostituía. Ao todo foram quase 25 anos de álcool, drogas e prostituição, nessa vida de vício contraiu o HIV. “Faço acompanhamento e estou limpa há 11 anos, além disso faço tratamento psiquiátrico e psicológico e quando falho esses acompanhamentos minha vida desce morro a baixo”, detalhou.

Em Mato Grosso do Sul, segundo da Sejusp – Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública 209 adolescentes e 274 crianças foram vítimas de estupro no primeiro quadrimestre de 2021. Este ano, de janeiro a abril 148 adolescentes e 231 crianças.

Reprodução/Facebook

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Viviane Vaz


Para Viviane é possível ressignificar a história de uma pessoa vítima de abuso sexual, mas para isso é preciso tratamento. “Eu vejo que as pessoas, muitas vezes, se preocupam muito na denúncia, em punir o abusador, em como vai ser, mas esquecem que pra vítima, vai ficar uma marca. Pra essa vítima foi arrancado algo, uma infância muito preciosa e a gente não vai devolver. Essa pessoa precisa de acolhimento, de um tratamento. É possível ressignificar sua história e isso depende de tratamento”, pontua.

"É possível ressignificar sua história e isso depende de tratamento"


Este mês foram realizadas várias ações em alusão ao “Maio Laranja”, o mês de combate ao abuso sexual infantil no estado. A iniciativa foi instituída pela Lei nº 5.118, de autoria do Deputado Herculano Borges. Ela foi, aprovada em dezembro de 2017, pelo então governador Reinaldo Azambuja. Nos anos seguintes vários municípios também instituíram a lei do Maio Laranja, garantindo assim as ações de prevenção e combate ao abuso sexual infantil.

No ano passado, a campanha teve repercussão nacional com apoio do Ministério da Família, dos Direitos Humanos, influenciadores digitais criaram campanhas que fomentaram o assunto e adesão da cor nos pontos turísticos nacionais como o Cristo Redentor.

Quem souber de algum caso de abuso sexual contra crianças e adolescentes, deve denunciar com urgência. O Disck 100 é um dos canais de denúncia e atende todo o Brasil. O Projeto NOVA oferece atendimento psicossocial para vítimas de abuso sexual, gratuitamente, para famílias em situação de vulnerabilidade social. @projetonova - www.projetonova.com 67 3324-4200.

 

Projeto NOVA - Institucional


Serviço
Mais informações podem ser obtidas via Whatsapp, pelo número: (67) 3324-4200, ou no site do projeto: http://projetonova.com/.
As doações podem ser realizadas na conta do Projeto Nova / Funasph:
Caixa Econômica - Agência: 3144
Operação: 013 - Conta: 13566-0
CNPJ: 07.650.299/0001-79
Pix 67999748272

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