Além de todas as consequências perversas de qualquer guerra, esta provocou o ‘efeito colateral’ de reduzir drasticamente a atenção da opinião pública sobre a gravidade da pandemia, ainda presente.
Nos últimos e perturbadores dias, o noticiário sobre a guerra movida contra a Ucrânia pela Rússia tem ocupado, com razão, quase todos os espaços da mídia, relegando a pandemia de Covid-19 a menções secundárias, quando ela ainda é uma presença muito grave entre nós, com média móvel de mortalidade na casa de 500 pessoas por dia no Brasil.
Evidentemente, um conflito dessas proporções, inesperado até mesmo para os estudiosos de assuntos estratégicos, e com potencial para pôr em confronto as mais poderosas nações do planeta, deve mesmo mobilizar as atenções e apreensões ao redor do mundo.
Contudo, é importante observar que, além de todas as consequências perversas de qualquer guerra, esta provocou, de imediato, o danoso ‘efeito colateral’ de reduzir drasticamente a atenção da opinião pública sobre a gravidade da pandemia, ainda muito presente.
É natural que para a população ucraniana, vítima de bombardeiros que devastam cidades e já mataram centenas de civis, além de provocar o maior deslocamento migratório forçado deste século, o risco de contágio da Covid-19 é algo quase “desprezível” diante dos desafios brutais impostos pela guerra.
Mesmo para as autoridades sanitárias do país ocupado, as prioridades passaram a ser o socorro aos feridos, a garantia mínima de assistência aos doentes que os ataques russos surpreenderam em hospitais – muitos dos quais transferidos para subsolos de estações de metrô – e a provisão de medicamentos e de sangue para atender vítimas de bombardeios.
Circunstâncias tão dramáticas naturalmente situam a pandemia como um ‘fantasma distante’ das vítimas diretas da guerra, embora haja alertas de que a infecção pelo novo coronavírus possa retomar altos índices em consequência da previsível deterioração dos sistemas de proteção sanitária na Ucrânia.
Porém, fora do país atacado – e mais especificamente no Brasil – o referido ‘efeito colateral’ representado pela drástica redução do noticiário sobre a pandemia, substituído por uma caudalosa e justificada cobertura em “tempo real” da guerra em território ucraniano, pode resultar na percepção social de que já vencemos a Covid-19. Aliás, a Psicologia Social explicita o fenômeno em que o desenrolar de uma tragédia, mesmo que distante, pode eclipsar um perigo mais próximo.
Em fins de fevereiro, nada menos que 32,9 milhões de brasileiros estavam em atraso com a dose de reforço contra a Covid. Enquanto isso, a vacinação infantil está em patamar muito aquém das expectativas, fruto, em boa parte, da desinformação. Apenas 20% das crianças de 5 a 11 anos tinham sido imunizadas até o último dia do mês passado.
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Embora o programa brasileiro de imunização tenha alcançado índices expressivos – na última quarta-feira (02/03), 80% da população tinham recebido a primeira dose; 72%, duas doses ou dose única; e 30%, a dose de reforço – aquelas defasagens apontam para a necessidade de empenho permanente, tanto para ampliar o número dos totalmente imunizados, quanto para reforçar as precauções que ainda precisam ser mantidas para evitar o contágio. Afinal, o número de novas contaminações ainda está em trinta mil por dia.
Ante essa realidade ainda preocupante, a natural concentração da mídia – especialmente a tevê, o rádio e os veículos online, de maior alcance popular – na cobertura da guerra na Ucrânia, em detrimento da cobertura mais efetiva e abrangente sobre a pandemia, deve mobilizar governos e organizações civis para a promoção de campanhas institucionais que alertem a opinião pública de que ainda não vencemos a pandemia.
Nossa irrestrita solidariedade ao povo ucraniano, vítima de uma agressão externa que mereceu pronto repúdio e imediata reação da imensa maioria das nações, não nos isenta de ter muito claro que ainda não derrotamos totalmente um inimigo pernicioso – o novo coronavírus.
*Iran Coelho das Neves
Presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul.
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